Estudo analisa água em Santa Quitéria, Canindé e Itatira e aponta baixos níveis de radiação

Pesquisa também avaliou águas de Caldas, em Minas Gerais, e encontrou doses de exposição abaixo dos limites brasileiros.

Um estudo científico realizado em regiões com presença natural de urânio no Ceará e em Minas Gerais identificou níveis de exposição à radiação abaixo dos limites estabelecidos pelas normas brasileiras. A pesquisa analisou amostras de água em Santa Quitéria, Canindé e Itatira, no Ceará, e em Caldas, no sul de Minas Gerais.

O trabalho foi desenvolvido pelo biólogo Wagner de Souza Pereira, da Coordenação de Meio Ambiente e Proteção Radiológica Ambiental das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), durante seu doutorado em Engenharia Nuclear pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

No Ceará, foram avaliadas águas superficiais utilizadas pela população em localidades relacionadas à área de estudo do Projeto Santa Quitéria, empreendimento situado na região da Fazenda Itataia.

As análises incluíram pontos em áreas urbanas de Santa Quitéria, Canindé e Itatira, além das comunidades rurais de Riacho das Pedras, Queimadas, Morrinhos e Lagoa do Mato.

Os valores médios de exposição estimados para as águas analisadas em Santa Quitéria variaram entre 0,0466 e 0,1085 milisievert (mSv) por ano. O maior resultado corresponde a aproximadamente um décimo do limite de 1 mSv por ano estabelecido pela legislação brasileira para indivíduos do público.

A pesquisa considerou substâncias radioativas presentes naturalmente no ambiente, como urânio, rádio-226, chumbo-210, tório-232 e rádio-228.

Esses elementos podem ser encontrados em diferentes concentrações nas rochas, no solo e na água. A partir das amostras, os pesquisadores calcularam a exposição associada à ingestão da água.

Em Minas Gerais, o estudo analisou três pontos de lançamento de efluentes da Unidade em Descomissionamento de Caldas (UDC), identificados como 014, 025 e 076.

As doses estimadas foram de 0,140 mSv, 0,032 mSv e 0,131 mSv por ano, respectivamente. Todos os resultados ficaram abaixo do limite de referência adotado na avaliação.

Uma terceira etapa da pesquisa ampliou a investigação para incluir a toxicidade química do urânio e a estimativa de risco de câncer ao longo da vida.

Segundo os resultados apresentados, a toxicidade química permaneceu abaixo dos níveis de referência, enquanto o risco estimado de indução de câncer foi próximo de zero nos cenários analisados.

Para Wagner de Souza Pereira, avaliar diferentes substâncias radioativas de forma conjunta permite compreender melhor as condições ambientais das regiões estudadas.

“Analisar conjuntamente os diferentes radionuclídeos permite uma avaliação mais abrangente, em vez de analisar isoladamente um único elemento”, afirmou o pesquisador.

Os estudos utilizaram critérios da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) e de organismos internacionais, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a Comissão Internacional de Proteção Radiológica (ICRP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os resultados se referem aos pontos de coleta e aos cenários de exposição considerados na pesquisa. As conclusões não representam uma avaliação de todas as fontes de água dos municípios.

Segundo a INB, os trabalhos integram uma produção científica publicada em periódicos internacionais e destacam a importância do monitoramento radiológico para acompanhar possíveis impactos ambientais.

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Matéria da Redação Canindé.Blog

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